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sábado, 31 de janeiro de 2009

Ficar Sem Fazer Nada

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Ficar sem fazer nada
enquanto nasce uma criança
e morre o seu avô,
um homem cola grau
e outro se aposenta.

Enquanto uma mulher se apaixona
e outra se desilude,
uma árvore e um pássaro caem
e germina uma semente e choca um ovo.

Ficar sem fazer nada
enquanto travam guerras e guerrilhas
e lutam pela paz,
enquanto uma pessoa vem
e outra vai.

Enquanto choram, riem,
falam, calam,
movem, param,
trabalham, dormem,
estudam, jogam,
fazem nada.

Ficar sem fazer nada
enquanto a vida
se acaba
e fazer dela
uma passarela
escurecida e enladeirada.


(Lalo Oliveira)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Abraços

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Abraço com um só braço
Quem abraça por ser formal.
O outro segura escudo
Maciço do melhor metal
Que é pra proteger-me as costas
De qualquer traição ou mal.

Abraço com os dois braços
Quem me abraça com o coração.
Jogo o escuto no chão, e no enlaço
Fico despido, fico frágil, fraco feliz,
E no cheio de afeto embaraço,
Faço do abraço uma paixão.

Abraço com pensamentos
Aqueles que afeiçoo de longe.
Há outros a quem não se abraça,
Nego mesmo pagando.

Afeto fabrico de graça,
Mas é caro e precioso
Pra ficar desperdiçando.


(Lalo Oliveira)


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sobre a Esperançosa Espera

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Vês aquela estátua?
Ela espera um amor.
Disse que viria logo,
Demorou...

E aquela árvore, vês?
E vês aquele poste?
Também esperam um amor.
Foi-se embora dizendo voltar logo,
Não voltou...

Vês a mim, assim parado
Como quem espera esperançoso
Um desses amores que somem?

Já esperei, não mais,
Que para esperar demais
Tem que ser estátua, árvore ou poste...

E eu sou homem.


(Lalo Oliveira)


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domingo, 4 de janeiro de 2009

Chega de Poemas Bestas de Amor

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Chega de poemas bestas de amor
Ou que se aproximem deles.
Já não carece narrar Ilusões
Dores e preces.

Vou falar de qualquer coisa
Que renda alguns bons versos,
De lugares, de pessoas,
De problemas diversos.

A menina que vende balas,
Coitada... merece um poema!
Ainda que sem inspiração,
Feio e cheio de pena.

Como merece o motorista
Arrogante, sem educação,
E a prostituta bonita
Da praia de Cabo Branco.

Vou fazer um poema para tudo que existe.
Mas de amor? Faço mais não...
Posso até bajular algum santo,
Mas poemas de amor não faço!

Por enquanto.



(Lalo Oliveira)


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