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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Deixe Estar



Esse tum-tum-tum, com notas raras,
Que toca no teu coração,
Eu conheço bem.
É dos que Sentem, a canção,
E aos mesmo o oposto do bem.


Dessa valsa desgovernada
Que tua alma dança,
Eu já dancei.
É de um reino a lembrança,
Onde o amor é um rei.


Mas deixe estar, que todo mundo sabe
Que tudo que existe passa.
(Um golpe de estado é bom dar).


Hoje é desgraça.
Amanhã a palavra se dissolverá,
Não haverá des...
Só graça.



(Lalo Oliveira)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Disco Voador


O homem flutuava no chão,
Não andava.
Trazia um ar do sertão,
Mas doce quando falava.


De vidro feito seu olhar,
Qual dos óculos a grossa lente.
Matutava muito a pensar
E só dizia de repente.


Era simples seu negro chapéu
E o formato de sua alma
(Clara como cor do céu,
A transmitir certa calma).


Todo dia, leite com cuscuz,
E até quando pôde, o fumo.
Tão místico quanto Jesus,
Seguindo sempre o Seu rumo.


Não se sabe se de fato existiu,
Mas se fez este favor,
Só tem certeza quem viu,
Tal como disco voador.



(Lalo Oliveira)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sofrimento



Tua nuca,
Desconhecida,
É residência
Divina.


Tuas costas,
Ladeira
Rumo à Terra
Dos homens.


Meus olhos?
Sofrimento.


(Lalo Oliveira)

sábado, 5 de janeiro de 2008

O Homem da Orla

O homem chorava na orla.
Não se sabe a razão.
Maltrapido, sujo,
E com o ar triste do não-ter.


Sentado, suas lacrimais
Em perfeita ação,
Era ignorado ou pior
Por quem passava
Com suas roupas caras,
Seus calçados caros,
Óculos caríssimos
E outras coisas desnecessariamente
Caras.


Talvez quisesse comida
E chorasse de fome.
Ou decente vida
E menos indiferença.


Um afago,
Uma palavra,
Um olá,
Um olhar
Menos enojado,
Fosse mais que dinheiro.


Os mendigos ficam felizes
Quando se fala com eles.


Não estava bêbado,
Estava lúcido,
Não estava além.


Não sei muito o que tinha...
Somente que estava triste,
Que tristeza eu conheço bem.


(Lalo Oliveira)