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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Chave Quebrada


Quando morre um porteiro,
Quem abre o portão?
Abre o próprio passador,
Com suas

próprias mãos,
Mas não há “bom dia”
Ou tratamento de “senhor”,
E a pizza esfria

Nas mãos do

entregador.

E as cartas quem entrega,
E passa a cobrança ao devedor?
Quem chama no interfone, educado,
Avisando da visita que chegou?

Não
há cobrança que se
pague só,
E nenhuma carta voa,
Nem interfone chama só,
Nem se avisa por telepatia
Quando chega uma pessoa.

Quando morre um

porteiro, quem chora?
O sindico? O motoboy? Um morador?
Quem pranteia à beira do caixão
E solta em soluços sua dor
É a mulher,

os filhos, a nora,
Os irmãos, os primos, os pais,
E todos os parentes mais,
E colegas que o morto deixou.

Mas quando morre
um porteiro
Já não se abre o portão.
Quando morre um porteiro
É como uma chave que se quebra
Dentro da fechadura, na mão.

E a gente se comove,
Que não é só um porteiro
É um cidadão.


Lalo Oliveira.

21 comentários:

Nathy disse...

Queria ter o dom de escrever poesias. Muito bom seu blog!! Belas palavras!

Pilatos disse...

Olha cara, curto muito poesias, tanto em ler como em fazer e te parabenizo pelos textos, porque não é qualquer um que tem esse dom.


um abraço



http://redacaoesporte.blogspot.com/

SOLANNO disse...

Escreve muito bem cara... Meus pêsames pelo senhor que faleceu

Gugu disse...

Muito bom o texto. Parabéns pelo blog no geral.

Liz / Falando de tudo! disse...

Eu custumo ir passando de blog em blog para conhecer novos espaços, quando gosto do cantinho de alguém deixo um recadinho, para poder acertar o caminho de volta, rs...rs...
Bem, te convido a visitar o meu cantinho também, caso você goste, nao deixe de deixar um recadinho, ah! e se não gostar pode criticar também!
Um abraço!
Liz

Arne Balbinotti disse...

Parabéns pelo poema, ficou lindo e olha que não sou fã incondicional de poesias, mas essa ficou PERFECT.
Sinto muito pelo Seu Roque, mesmo por que existem tantos "Seu Roque" por esse Brasil afora e nem precisam ser especificamente porteiros.
Abraços.
PS.: Adicionei seu Blog aos Clientes da Butique.

Vírgula Antenada disse...

Pra variar, leio perfeição em você.
Linda homenagem...
Virá outro porteiro, mas não significa que o Senhor Roque se vá.

blog disse...

Camarada, com todo o respeito: o poema acabou no fim da primeira estrofe.
Tornou-se repetitivo, após.
Mas a prima estrofe foi um achado, inclusive no quesito ironia.
Mas é apenas uma opinião.

Abraço.

Anônimo disse...

camarada do camarada Oliveira,cá vai um anônimo não em defesa do poeta mas em pedir um esclarecimento maior acerca da opinião exposta acima.Concordo com o colocado que o poeta tentou afirmar demasiado os caracteres da função do homenageado,perdendo talvez o "fôlego" do poema, mas a repetição apesar de desnecessária pelo menos dá margem a alusões e metáforas dignas de nota.O estilo do autor é agradavel basta que este saiba "cortar as arestas".
Continue escrevendo Oliveira

Raphael Pacheco Neto disse...

Não poderia existir presente e homenagem melhor pra uma pessoa que faz a diferença no nosso cotidiano, mas que muitas vezes nem percebemos, ou muitas vezes, ignoramos. O valor devido só é reconhecido qdo perdemos!

Muito bom!
Abraço
http://umpacheco.blogspot.com/

Fer Pocow disse...

Cara esse poema ficou fodão véio.
Seu Roque mereceu essa homegagem a altura. Esse texto me fez refletir, sobre algumas pessoas, e se elas morresem me vi no outro lado da história, cara ficou bom mesmo.

Gênese disse...

Muito bem...huahuahuah

gostei muito!

^^"

valew por ter passado no genese

Meerstempel Badist disse...

Muito foda o poema! Pena que teve que acontecer algo trágico assim.

Nana Lopes disse...

Bacana a homenagem.
O porteiro do meu predio ja virou membro da familia de todo mundo.
Super eficiente!!
seu texto foi bem estruturado.Parabens

Pétala Rubra disse...

Acho que os poetas de verdade são aqueles que vêem o cotidiano com o olhar sensível. Quantos de nós conseguiríamos demonstrar tamanha indignidade com palavras tão bens catadas (como feijão!).

Cada dia admiro mais seus poemas.
Deixei umas lembranças para você no meu post de hoje. Espero que goste.

http://blogceiadesvairada.blogspot.com/

Inté!

blog disse...

Opa, opa.
Acabei de ler um comentário sobre "meu" comentário.
Ao dizer que o texto havia "terminado" na primeira estrofe, mantenho essa afirmação - o que não macula, sob hipótese alguma, as outras estrofes.
Acredito que o Oliveira não tenha compreendido o que eu disse (e talvez isso tenha sido culpa minha).
O que afirmo é que alguns textos - e falo por experiência própria - terminam num ponto e nós, autores, não percebemos isso.
É natural e corriqueiro.

E ressalto, mais uma vez: é apenas uma opinião.

Abraço.

João PAulo disse...

Poesia boa...

so um pouco longa...

Tiago Sant'Ana disse...

Otima poesia...
Conteudo dificil de ser abordado, por isso considero original e inovador...
Ótima iniciativa de retratar aquele que apesar de ser importante sempre fica a margem da social...
Parabéns!
Vou ver os outros posts agora!

Net Esportes disse...

poesia excelente, que absurdo o que houve com o seu porteiro, é um descaso terrível ................

http://netesporte.blogspot.com/

Camila Libanori disse...

Você possui o dom das palavras!

bjO!

http://camilinhaliba.blogspot.com/

Xoxoteson disse...

gostei e meus pesames pelo porteiro
=\