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terça-feira, 14 de julho de 2009

Um homem e seu Automóvel

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Um homem e seu automóvel
emperiquitado com luzes
e outras mungangas,
de mala aberta
em festa bagaceira.

Um homem e seu carro de som,
de anúncio, de propaganda, gritando:
eu tenho! eu sou!

Um homem e seu automóvel,
e seu ego, e seu consolo, e sua compensação.

Um homem e seu monte de
metal,
vidro,
plástico,
borracha,
tecido.

Um homem e seu automóvel
Ou um automóvel e seu homem?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Animal

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No meio da praça olha o mundo:
As grandes invenções, as construções bárbaras,
As descobertas novíssimas, as artes genuínas,
Os grandes feitos, os grandes homens,
Os cheques grandes em bolsos pequenos.

Mas olha somente um lado:
O lado burguês, industrializado, midiático,
O lado materialista e desenvolvido
Da praticidade, da tecnologia, da acomodação,
Do não-fazer.

Alguém mostre o sertão ao animal
Ou uma criança africana desnutrida!

E ele, estático, não sabe para onde vai,
Sequer traça um caminho,
Não sabe se ri ou chora
No meio de sua praça particular.

O animal tudo vê, nada faz.
Vai existindo, somente.

Basta somente existir?
Para quê? Para quem?

Pergunta-se o animal angustiado
No auge de seus vinte anos
Em meio a muitos outros animais
Que também se limitam a existir
Fora da engrenagem do mundo,
Em suas pequenas interações sociais passageiras.