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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tímido e Clássico

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Minha mão sob tua mão
E a tua mão sobre a minha
Numa noite tímida e clássica
De um cinema a passar
Um filme desinteressante.

Tua boca em minha boca
E nossas línguas tímidas e clássicas
Num ato desinteressantemente dançante.

Nós em nossas próprias companhias:
O corpo, o cheiro, a voz...
Tudo! exceto algo no peito,
Que nunca estivemos em nós.

E assim o vento leva fácil
Um guardanapo solto sobre a mesa.
Vão-se as pessoas como barcos
Desancorados na correnteza.

Valor se dá quando se perde
- Se eu pudesse, evitaria! – ,
Penso, numa noite tímida e clássica,
Quando minhas mãos estão sós
Sobre o logo de uma cervejaria.


(Lalo Oliveira)

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5 comentários:

Nina Ferreira disse...

Perfeito, como poucas coisas que li na vida.

Gostei muitíssimo, Lalo.

Only feelings... disse...

=D
Ahhhh, agora sim, esse tá lindão!^^
:****

saga dos martins disse...

Adorei o modo como descreve sentimentos, de fácil compreensão , sem palavras difíceis.
Ele está só e relembra os momentos que passou ao lado da amada e o valor que não deu a esses momentos!
Beijinhos!
http://sagadosmartins2.blogspot.com/

[ rod ] disse...

É fato... só reconhecemos quando perdemos... essa máxima atua sobre todos.

Abçs meu poeta,










Novo Dogma:
convenHamos...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

prazeranonimo disse...

é legal ver o quanto sua poesia é orgânica, e o quanto a sua viagem passa pelo humano fisiológico.

De problemas no banheiro, dores de dente, cheiro e voz, e excrementos.

até a próxima.