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domingo, 15 de março de 2009

Depois da Ebriedade

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Depois da ebriedade,
Do desequilíbrio corporal,
Da visão turva
E de transgressores pensamentos,
Depois do peristaltismo às avessas
Que traz à tona o alimento semi-digerido,
Depois até mesmo da incerteza dos feitos e dos não-feitos
Genesis dos pesares que os acompanham, por vezes,
Depois, por fim, da transcendência nada mítica,
Não apenas meu corpo reage,
Vista também a reação de minha psique
Da pena emocional que sinto
Da pena de quem me tem pena,
De quem me condena
E não me paga um salário,
De quem faz da razão,
Irracionalmente pseudo-casto,
Um deus autoritário.

Depois da ebriedade,
Uma sobriedade incontente

E uma certa saudade.


(Lalo Oliveira)

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7 comentários:

Ingrid #) disse...

é, eu sei, uma saudade de...deixe-me calada! hehe.

essa daí tem que ir para o seu livro, não só para marcar o momento, mas porque tá na lista das mais bem conhecidas poesias ;}

e a partir de "...Da pena emocional que sinto..." até o finalzinho, eu considero o melhor da poesia.

Everaldo Ygor disse...

E por aqui, Poeta...
Vou me embriagando com suas letras...
E só o meu copo ainda reage...
Mais uma vez, belo e surreal...
Abraços
Saudações Poéticas
Everaldo Ygor

Nina Ferreira disse...

Com a ebriedade, o esquecimento; Com o esquecimento, a ilusão; Com a ilusão, sorrisos.
Somos assim e assim seremos.

Muito bom, querido.
Saudades...

Vírgula Antenada disse...

Numa frase que hoje fiquei bêbada ao te ler:
CARA TU É MUITO FODA E NÃO SEI CADÊ SEU LIVRO QUE JÁ COMPREI DEZENAS PRA MIM E PROS MEUS AMIGOS!

Ufa!!

Mana Oliveira disse...

Poeta ...

Rui disse...

Beber é fácil. Saber o que se bebe, como e quando se deve beber, é uma arte, e tão complexa, a despeito da sua aparente facilidade, que raros são aqueles que lhe prestam culto. Toda a gente em todos os recantos do mundo, bebe mais ou menos.
A ingestão de bebidas fermentadas corresponde a uma necessidade fisiológica à qual se eximem apenas alguns, cada vez mais raros, puritanos, eivados de falsas ideologias, e prosélitos de abstrusas religiões.
Muitos bebem para matar a sêde, muitos por vício e alguns, os raros cultores da arte sublime de bem viver, por prazer físico e intelectual.
Há quem beba mal por ignorancia, por snobismo, por obediência a preconceitos estúpidos, ou simplesmente por ativismo.
Sobre este ponto de vista, há uma vastíssima obra de educação a realizar, que não sede o passo, em importancia, a muitas outras reivindicações de ordem social.No dia em que a Humanidade souber beber, terá dado um passo mais no caminho da perfeição ...ou não!! Os apregoados perigos do alcool derivam mais da ignorância do mundo do que dos male causados pelo alcool em si.
«E Hermes serviu o vinho para os Deuses».- Sappho :P

well disse...

kkkkk

é verdade!