De tão doce, pensa ser morango.
É tão rosa que pensa ser flamingo.
Tão feliz que pensa ser palhaço.
Mas em seu abraço pequenino,
Mostrou-me quase secretamente
Que é palhaço, flamingo e morango,
Que se uniram pra ser gente.
De tão doce, pensa ser morango.
É tão rosa que pensa ser flamingo.
Tão feliz que pensa ser palhaço.
Mas em seu abraço pequenino,
Mostrou-me quase secretamente
Que é palhaço, flamingo e morango,
Que se uniram pra ser gente.
A velha mendiga velha,
Pousada no canto da rua,
Parece uma estátua feia e sem graça
Que ninguém percebe a existência,
Mas pela qual o mundo passa.
Parece uma estátua cemiterial,
Com cara triste de tragédia grega,
Simples, ofusca e discreta.
De tristeza tão sincera
Que nem engana o carnaval.
É, pelo menos, melhor
Que a estátua, da praça, pichada,
E mais sortuda que a de Drummond
(da praia de Copacabana)
Que não escapou, foi assaltada.
Não é estátua-viva
(E nem por isso é morta),
Antes fosse, que às vivas
O povo joga dinheiro.
Vai simplesmente passando
Ignorada o dia inteiro.
Tudo estaria perfeito
Se fosse somente uma estátua
Das muitas que o tempo consome.
Mas a perfeição vai embora,
Que esta estátua não é de pedra,
É doente, suja e tem fome.